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3 de fevereiro de 2005 |
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ÉTICA: CÓDIGOS DE CONDUTA
A assessoria de imprensa do governo funciona em duas esferas ao mesmo tempo. Você representa a posição do governo junto ao público, mas de certo modo também defende os interesses da imprensa e das pessoas que fazem parte do governo. Esse duplo papel poderá colocá-lo, eventualmente, em uma posição difícil do ponto de vista moral. Na qualidade de porta-voz, qual seria a sua reação se o seu chefe pedisse para omitir informações não confidenciais? O que faria ao ver o seu chefe mentir para a mídia, estando você ciente do fato? Os assessores de imprensa do governo são obrigados a lidar com essas questões em todos os países do mundo, inclusive nos Estados Unidos. Para ajudá-los a enfrentar esse problema, muitos países criaram seus próprios códigos de ética. Esses sistemas de valores, por meio dos quais alguém determina o que é certo ou errado, lícito ou ilícito, justo ou injusto, estabelecem normas de comportamento aceitáveis para profissionais e funcionários no exercício de suas funções. Constituem a consciência de uma profissão. Igualmente importante, um código de ética reconhecido pode fazer com que o empregador tenha uma compreensão mais abrangente dos padrões de comportamento a serem seguidos por seus funcionários. Os porta-vozes do governo devem tomar decisões que sejam compatíveis com o interesse público e com o seu empregador, bem como com os seus valores pessoais e padrões profissionais. Uma vez que esses valores podem ser conflitantes, os códigos de conduta são, em última análise, a medida que se pode usar para avaliar o comportamento correto a ser seguido. Na verdade, o fator credibilidade é de importância fundamental para a função de porta-voz. Embora seja importante mostrar lealdade ao empregador, se o porta-voz não tratar a mídia com total honestidade, tal atitude será fatal para a sua credibilidade e acabará igualmente por destruir a sua reputação junto ao empregador. É preciso muito empenho para um porta-voz conquistar a confiança da mídia, e isso só é conseguido ao longo do tempo por meio de um desempenho altamente profissional e ético. Por conseguinte, a primeira obrigação de um comunicador ético é dar informações sobre eventos, questões, políticas ou planos do modo mais verdadeiro possível. Embora possa parecer que os códigos de comportamento do governo e da imprensa devam ser necessariamente opostos, a verdade é que em uma democracia muitos princípios desses códigos são comuns para os dois lados. Nos Estados Unidos, por exemplo, os comunicadores do governo e os códigos de comportamento da imprensa pregam a necessidade de o profissional ser responsável, dizer a verdade e cultivar a precisão; não ter conflitos de interesse; trabalhar em prol do interesse público; ser justo e imparcial; e ser um depositário da confiança pública. Quando o assunto é verdade e precisão, a Sociedade Norte-Americana de Editores de Jornais (American Society of Newspaper Editors - Asne) declara o seguinte em seu código de conduta: "A boa fé para com o leitor é o fundamento do bom jornalismo. Todo esforço deve ser feito para garantir que o conteúdo da notícia seja preciso, livre de preconceitos e fiel ao contexto, e que todos os lados sejam apresentados de forma imparcial". Afirma em seguida que erros significativos de fato, bem como erros de omissão, devem ser corrigidos prontamente e de modo destacado. De maneira semelhante, em seu código de ética, a Associação Nacional de Comunicadores do Governo (National Association of Government Communicators - NAGC) afirma que os comunicadores do governo "não darão nenhuma informação falsa ou enganosa de forma proposital, e agirão prontamente para corrigir informações ou rumores falsos ou enganadores". Ambos os códigos de ética afirmam que seus profissionais estarão a serviço do bem-estar geral e não deles próprios e de que serão responsáveis pelos trabalhos que produzirem. Com respeito ao interesse público e à confiança pública, o código da Asne declara que a liberdade de imprensa pertence ao povo em geral. "Deve ser defendida contra transgressões ou ataques de qualquer setor, público ou privado. Os jornalistas devem estar sempre alertas para averiguar o grau de transparência na condução dos negócios públicos. Devem estar vigilantes contra todos os que desejam explorar a imprensa para seus propósitos egoístas." O código da NAGC afirma que os porta-vozes do governo devem "conduzir suas vidas profissionais de acordo com o interesse público, em reconhecimento ao fato de que cada um de nós é depositário da confiança pública". Os ideais expressos nesses códigos servem de guia, mas como é possível lidar com as questões éticas em lugares onde possivelmente nem mesmo chegaram a ser discutidas de forma abrangente? Os profissionais que tratam da informação pública podem considerar o seguinte: A seguir as principais seções do código de ética da Associação Nacional de Comunicadores do Governo. "Os membros da Associação Nacional de Comunicadores do Governo prometem e professam dedicação aos objetivos de conseguir maior comunicação, compreensão e cooperação entre todos os povos. "Acreditamos que a verdade é algo inviolável e sagrado; que fornecer informação pública é um serviço civil essencial; e que o público em geral e cada cidadão em particular têm o direito de ser informados de forma igualitária, completa, compreensível e oportuna sobre o seu governo. Os associados devem observar o seguinte: "Quando um associado tiver evidências ou suspeitar de que outro membro praticou um ato não ético, ilegal ou injusto, inclusive transgressões à presente declaração, ele deve apresentar prontamente a informação à autoridade apropriada, que pode ser o presidente da NAGC ou o presidente da Comissão de Ética da NAGC. Aqueles que descumprirem o Código de Ética da organização serão convidados a deixar a NAGC." |